Cada um por si? A desglobalização e seus impactos para a logística e para a economia.
- target2016
- 11 de mar.
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Atualizado: 17 de mar.

Marcos Troyjo, nome confirmado para a Feira Logistique 2025, renomado economista, diplomata e ex-presidente do BRICS, autor do livro “Desglobalização: crônica de um mundo em mudança”, defende a ideia de que a globalização tem sido ameaçada, na verdade, desde os atentados terroristas de 2001, nas Torres Gêmeas, em Nova York, e pelas diversas crises econômicas até então, ganhando especial força com a pandemia da Covid-19, com a eleição de Donald Trump e com a saída do Reino Unido da União Europeia.
Medidas comerciais mais rigorosas, incluindo tarifas e restrições alfandegárias, sugerem que certos países estão adotando uma postura mais isolada. As crises geopolíticas intensificam essa direção, levando a uma redução gradual, mas contínua, da interdependência econômica e social entre alguns países, que têm valorizado a soberania nacional em detrimento da colaboração internacional. Isso promove o retorno das cadeias produtivas para o âmbito interno, visando diminuir a dependência externa e resultando em um protecionismo que prioriza políticas econômicas locais.
Empresas em todo o mundo estão investindo em automação e tecnologia para reduzir a dependência de cadeias de suprimentos globais, demonstrando uma clara característica deste processo.
Conforme a análise do diplomata, as questões do Brasil atualmente são mais internas do que externas. Embora os Estados Unidos adotem uma postura mais restritiva, o Brasil possui outras oportunidades de comércio, incluindo um possível acordo entre o Mercosul e a União Europeia, além de aumentar as exportações de produtos agrícolas e minerais para as economias emergentes do sudeste asiático.
“O cenário não é necessariamente ruim. O problema é dentro da caverna: continuamos engalfinhados numa crise política, moral e policial. E não temos estratégia. O Brasil confunde o combate à corrupção e o ajuste fiscal como elementos estratégicos. Mais do que estratégicos, eles são instrumentos fundamentais, como é a saúde para um indivíduo. O Brasil não tem estratégia e não está com boa saúde”, avalia Troyjo.
Em um mundo onde os impactos da desglobalização são cada vez mais incertos, é importante que os gerentes de logística e os tomadores de decisões de transporte entendam e se preparem para a mudança.
Um dos principais benefícios desse processo é o impulso à economia local. Ao realocar atividades industriais para seus países de origem, os países podem reduzir o desemprego e melhorar o desenvolvimento econômico regional. Além disso, o aumento da produção interna reduz a dependência de fornecedores externos, melhorando o controle e a previsibilidade na cadeia de suprimentos. Vale mencionar também que esse processo poderia proporcionar melhor proteção contra choques econômicos globais.
Com a desglobalização, economia local ficaria menos dependente das flutuações dos mercados internacionais, o que a tornaria mais capaz de resistir a crises financeiras e perturbações que afetam a economia global.
Mas há desvantagens. A produção local pode ser mais cara do que a produção em países onde a mão de obra é mais barata. Isso pode resultar em preços mais altos para os consumidores finais. Um possível declínio na cooperação internacional e no intercâmbio cultural poderia limitar a troca de ideias e de inovações importantes, impactando negativamente a diversidade e os progressos globais. Essa mudança pode criar novas oportunidades para alguns mercados, mas pode representar desafios para aqueles que são altamente dependentes do comércio internacional.
De uma perspectiva tecnológica, a inovação provavelmente será impulsionada pela demanda por soluções mais eficientes e menos dependentes de recursos externos.
O mercado de logística será, sem dúvida, afetado. Ao alinhar mais de perto suas cadeias de suprimentos, as empresas vão precisar desenvolver novas estratégias para aumentar a eficiência e reduzir custos operacionais. No entanto, a adaptação a essas mudanças apresentará desafios e exigirá uma reavaliação dos modelos e processos de negócios existentes, incluindo a logística global. Essas mudanças também exigem tecnologia avançada para garantir eficiência e competitividade.
Esta nova abordagem econômica traz desafios e oportunidades. Cabe às empresas e aos líderes avaliar como responder a esse novo ambiente.
Adaptar-se proativamente a essas forças mutáveis com as ferramentas tecnológicas certas garantirá que não apenas sobreviveremos, mas prosperaremos em um cenário global em constante mudança.
A Logistique é um evento voltado para promover as oportunidades de Santa Catarina para o mercado nacional e internacional. Participam autoridades, como Marcos Troyjo, nome confirmado para o Summit da 6º edição da feira, empresários e investidores, com o objetivo de fomentar uma agenda rica, propositiva de negócios para Santa Catarina e para o Brasil. Os temas escolhidos são estruturais não só para os catarinenses, mas para o país. E pela abrangência, as discussões vão girar em torno de 4 grandes blocos, com os temas:
Macroeconomia, Geopolítica e Alianças Econômicas;
Sustentabilidade e ESG;
Inteligência Artificial e Inovação;
Logística 2030 e Infraestrutura.
A próxima edição acontece entre os dias 12 e 14 de agosto de 2025, no Expocentro de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Participe!
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