O Futuro do Comércio e da Logística: como o Brasil pode ganhar protagonismo nas novas cadeias globais

A 7ª. edição da Logistique – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, que vai de 11 a 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú (SC) contará com mais de 60 horas de palestras e debates relevantes ao setor.

Abrindo os trabalhos no LOGISTIQUE SUMMIT 2026, Fabio Siccherino, CEO e Membro do Conselho da DP World Brasil, falou sobre “O Futuro do Comércio e da Logística: como o Brasil pode ganhar protagonismo nas novas cadeias globais”.

Ele iniciou sua análise avaliando que o mercado mundial comercializa US$ 35,9 trilhões, dos quais o Brasil participa com 1,33%, mesmo estando entre as 10 maiores economias mundiais. Como mudar esse cenário?

Antes de dar a resposta, Siccherino avaliou o cenário global.

“O conflito no Irã foi um divisor de águas na logística mundial. Pontos de tensão geopolítica como o Estreito de Ormuz, Estreito de Malaca, Estreito de Magalhães, entre outros tornaram-se choque points – pontos de estrangulamento para a logística, ou seja, quando interditados, a cadeia de suprimentos sofre com riscos de segurança, atrasos, desabastecimento e aumentos de custo, por exemplo”, afirmou.

Outra questão é que, antes da pandemia de Covid, havia previsibilidade na atracação dos navios. Depois dela, raramente, em função de guerras, conflitos, questões climáticas e geopolíticas. Mas não só isso. Os conflitos geopolíticos geram fechamento de rotas. O desvio por rotas alternativas, geralmente mais longas, impactam no preço do frete e na regularidade do serviço.

“Se pensarmos que 70% em valores e 80% em volumes do comércio internacional são transportados por via marítima e que das 900 milhões de TEUS transportados, 400 milhões de TEUS estão alocados em apenas 20 portos pelo mundo, podemos entender o impacto da geopolítica na logística mundial”, afirmou o palestrante.

Risco de Fragmentação

Um dos cenários possíveis frente aos conflitos geopolíticos é o risco de fragmentação global, ou seja, a mudança do status de globalização para o de regionalização das relações. “Para que não haja ruptura brusca ou limitação de diversidade de produtos e fornecedores, é necessário que se encontra o ponto de equilíbrio dessa fragmentação”, alertou.  

Criação de cadeias duplas

Outro risco dos choke points é a necessidade de se criar cadeias alternativas de abastecimento por conta do risco de atrasos ou rupturas. “Sair do modo JUST IN TIME para o JUST IN CASE pode gerar aumento de custo e de inventário, onerando a cadeia logística”, apontou o palestrante.

“O futuro pertence a quem for ágil em reestabelecer cadeias de suprimento”

As questões geopolíticas conduzem as operações por caminhos alternativos. Quem sai do modelo offshore e não consegue se estabelecer no inshore (produção interna), tem a opção do nearshore (fornecedor mais próximo) ou na modalidade friendshore (fornecedor de bom relacionamento – que nem sempre se sustenta no longo prazo). Até mesmo na modalidade powershore, na qual o Brasil se destaca por produzir energia limpa, de matriz diversificada e competitiva.

Como o Brasil se posiciona

Segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE sobre países que integram o comercio internacional, o Brasil participa ativamente apenas da exportação de básicos e muito pouco da integração das cadeias de suprimento com manufaturados.

Para aumentar a competitividade, é preciso atentar aos acordos comerciais bilaterais para que não agravem a desindustrialização, além de investir em infraestrutura e na desoneração da logística. Para se ter uma ideia, o custo da logística no Brasil é de 15,5% do PIB enquanto nos Estados Unidos equivale a 8% do PIB.

Resolver os gargalos e modernizar a infraestrutura de conexão de modais no país também é necessário. Só essa modernização demandaria investimentos da ordem de 4,5% do PIB por 5 anos. Hoje, o que se investe não passa de 2,2%,

“Por exemplo, para que pudéssemos contar com um hub port nacional, seria preciso que ele contasse com acesso facilitado, profundidade de calado para grandes embarcações, capacidade e conectividade. Hoje, não atingimos todos os quesitos em nenhum de nossos portos”.

Em resumo, até para que nosso agronegócio, reconhecido mundialmente, se mantenha competitivo, é preciso manter investimentos em logística, desonerando a cadeia e garantindo eficiência.   

Pontos a serem anotados:

  • O mercado mundial comercializa US$ 35,9 trilhões, dos quais o Brasil participa com 1,33%.
  • 70% em valores e 80% em volumes do comércio internacional são transportados por via marítima
  • Das 900 milhões de TEUS transportados, 400 milhões de TEUS estão alocados em apenas 20 portos pelo mundo
  • Sair do modo JUST IN TIME para o JUST IN CASE pode gerar aumento de custo e de inventário, onerando a cadeia logística
  • O Brasil tem plena possibilidade de atuar na modalidade powershore
  • O custo da logística no Brasil é de 15,5% do PIB enquanto nos Estados Unidos equivale a 8% do PIB.
  • Para modernizar a infraestrutura logística no Brasil seriam necessários investimentos da ordem de 4,5% do PIB por 5 anos. Hoje, o que se investe não passa de 2,2%

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