Cibersegurança na logística: por que proteger operações digitais se tornou uma prioridade?

A transformação digital deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade dentro do setor de logística e transporte. Inteligência artificial, automação, integração de sistemas, rastreamento em tempo real e análise de dados já fazem parte da rotina de empresas que buscam mais eficiência operacional, redução de custos e maior previsibilidade nas entregas.

Esse movimento é confirmado pelo Gitnux Report 2025, que aponta que 72% das empresas de logística já utilizam inteligência artificial para otimizar suas operações, obtendo ganhos como aumento da produtividade e redução dos prazos de entrega.

No entanto, com o aumento da conectividade das operações, aumenta também a exposição a ameaças digitais. O avanço da tecnologia amplia os riscos cibernéticos

O transporte de cargas depende hoje de uma extensa rede de sistemas interligados que conectam embarcadores, transportadoras, operadores logísticos, portos, terminais, centros de distribuição e clientes finais. Essa integração tornou a cadeia mais inteligente, mas também mais vulnerável a ataques cibernéticos.

Um levantamento da RIS – Risk, Information & Security mostra que o setor logístico brasileiro registrou mais de 1,8 mil alertas de alta e crítica severidade relacionados a ameaças cibernéticas apenas nos últimos três meses. Quando analisado o período de 12 meses, esse número ultrapassa 58 mil alertas, colocando a logística entre os segmentos mais atacados em 2025.

No Brasil, os ataques direcionados ao transporte de cargas dobraram, sendo a extorsão de dados uma das modalidades mais frequentes. Além dos prejuízos financeiros, esse tipo de ocorrência pode interromper operações, comprometer informações estratégicas e afetar toda a cadeia de suprimentos.

Falhas simples continuam sendo as principais portas de entrada

Grande parte dos incidentes poderia ser evitada com medidas básicas de proteção digital. Entre as vulnerabilidades mais comuns identificadas pela RIS estão o uso de senhas padrão, ausência de criptografia, sistemas desatualizados e falta de segmentação das redes corporativas.

Os portos brasileiros aparecem entre os ambientes mais suscetíveis aos ataques, principalmente devido ao intenso fluxo de cargas e à integração entre sistemas públicos, privados e internacionais. Qualquer indisponibilidade tecnológica pode provocar atrasos, aumentar custos e gerar impactos significativos no comércio exterior.

Investir em conectividade também significa investir em segurança

A digitalização da logística não pode ser vista apenas como um caminho para aumentar a eficiência operacional. Ela precisa estar acompanhada de estratégias robustas de cibersegurança que garantam a continuidade das operações e a proteção das informações.

Para Leonardo Rinaldi, diretor da Logistique 2026, fortalecer a conectividade é uma necessidade para elevar a competitividade da logística brasileira, mas esse avanço deve caminhar lado a lado com soluções que promovam integração segura entre todos os agentes da cadeia.

Segundo o executivo, o setor precisa acelerar a adoção de tecnologias capazes de preparar o mercado nacional para os desafios da Logística 5.0, criando um ambiente mais conectado, eficiente e protegido contra ameaças digitais.

Inovação e tecnologia estarão no centro da Logistique 2026

Com foco nas transformações que estão redesenhando o setor, a Logistique 2026 dedicará um espaço especial às soluções tecnológicas voltadas para conectividade, inovação e segurança das operações.

Um dos destaques será o Logistique Innovation Hub, ambiente que reunirá hubs de inovação, incubadoras, aceleradoras, startups de logística, transporte e supply chain, além de laboratórios de pesquisa e centros tecnológicos. O objetivo é apresentar ferramentas capazes de aumentar a competitividade das empresas por meio da automação, da integração de processos e da proteção digital.

Além disso, a feira contará com mais de 150 empresas expositoras e expectativa de receber cerca de 16 mil profissionais do setor, oferecendo espaços segmentados para estimular negócios, networking e troca de conhecimento.

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