Hoje, mais do que nunca, os conflitos internacionais impactam diretamente na realidade das empresas brasileiras. Em um mercado globalizado e altamente conectado, decisões políticas, guerras e tensões diplomáticas têm reflexos diretos sobre a cadeia logística nacional, afetando custos operacionais, contratos e até o preço final dos produtos.
Não é mais possível discutir custo logístico sem considerar o cenário global. O impacto é ainda mais relevante em um país onde a logística já representa um desafio estrutural. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o custo logístico brasileiro corresponde a aproximadamente 13,3% do Produto Interno Bruto (PIB), percentual elevado quando comparado ao de economias mais desenvolvidas. Nesse contexto, qualquer alteração no cenário internacional amplia uma conta que já pesa significativamente sobre empresas e consumidores.
Grande parte desse efeito está relacionada ao petróleo. Conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA), as recentes tensões geopolíticas já contabilizam oscilações superiores a 30% no preço da commodity. Como consequência, o diesel — principal insumo do transporte rodoviário brasileiro e responsável por até 35% dos custos operacionais das transportadoras, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — sofre reajustes que rapidamente se refletem no valor do frete. No Brasil, cerca de 65% de toda a movimentação de cargas se dá por rodovias.
Os efeitos também variam conforme a região do país. O Sudeste, responsável por aproximadamente 55% do PIB nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), concentra boa parte da produção industrial, do consumo e da infraestrutura logística brasileira. É nessa região que está localizado o Porto de Santos, responsável por cerca de 30% da movimentação da balança comercial do Brasil, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), tornando-o um dos principais pontos de sensibilidade diante das alterações no comércio internacional.
No Sul, onde a economia possui forte vocação agroindustrial e exportadora, a exposição também é elevada. Cadeias produtivas ligadas às commodities dependem diretamente das condições do mercado internacional e acabam sofrendo com alterações nos custos de frete marítimo, seguros e disponibilidade logística.
Além dos combustíveis, o mercado segurador também passou a incorporar o aumento do risco geopolítico em seus cálculos. A percepção de risco global reflete diretamente no valor dos prêmios e nas condições de cobertura oferecidas às empresas. Paralelamente as interrupções nas cadeias globais de suprimentos afetam prazos de entrega, disponibilidade de rotas e custos operacionais em diversos mercados.
Esse cenário exige uma mudança de postura das organizações e debates profundos sobre inovações e soluções apoiem o desenvolvimento.
Nesse cenário a Logistique 2026 – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, que será realizada de 11 a 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú, SC, se apresenta como um dos principais catalisadores dos debates e das inovações ligados a esses temas.
Com perspectiva de apresentar um crescimento da ordem de 15% em relação à edição do ano passado, a Logistique 2026 prevê reunir mais de 150 expositores – entre terminais portuários, transportadores de carga, gestores logístico, seguradoras e outros – e espera receber mais de 16 mil profissionais de toda a cadeia logística brasileiras e de comércio internacional, atuando como uma plataforma estratégica de negócios.