O Mundo em Reconfiguração: China, Estados Unidos e a Disputa pela Liderança Econômica do Século XXI

O segundo dia da Logistique 2026 – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, eventoO evento, que vai até 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú (SC), contou com a participação de Silvio Cascione, Diretor, Brasil, Eurasia Group, na palestra de abertura.

Abordando o tema: O Mundo em Reconfiguração: China, Estados Unidos e a Disputa pela Liderança Econômica do Século XXI, Cascione afirmou que, hoje, o mundo não vive uma transformação geopolítica, mas sim uma ruptura. “O mundo como conhecemos na escola não existe mais. As regras globais estão desalinhadas com a balança do poder, as instituições globais perderam relevância e prevalece o mais forte ganha notoriedade” afirmou.

Ele explica que esse processo começou na Guerra Fria, que apresentava uma polarização geográfica e quando ela acaba, surge coo grande potência os Estados Unidos e a Rússia, ao ser chamada para integrar essa nova configuração se ressentiu.

Nesse cenário, a China se reintegra ao mundo ocidental ao Abrir sua economia e se juntar à Organização Mundial do Comércio (OMC), se tornando um concorrente competitivo, fazendo frente às grandes potências.

Nesse ponto, o norte americano começa a se questionar sobre seu papel no mundo globalizado e se volta para dentro em um processo inverso, inclusive se retirando das organizações mundiais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump personifica essa ruptura do país com o mundo e, ao mesmo tempo, sente a pressão de uma sociedade que percebe o aumento da desigualdade nos Estados Unidos e da falta de oportunidades.

Por outro lado, a China também vem se atentando para a necessidade de mudanças. A geração mais nova já vive mais dificuldades que a de seus pais. Mundialmente, ela por anos foi a fábrica do mundo, mas esse boom passou e ela já não contabiliza o mesmo retorno. Seu plano de longo prazo começa a mostrar desgaste e a necessidade de se voltar ao mercado interno não se concretiza de uma hora para outra.

O palestrante explicou que, paradoxalmente, as duas potências em questão mantêm uma relação comercial e interdependente, o que elimina a volta de uma Guerra Fria.

Como o Brasil se posiciona?

O cenário internacional é de imprevisibilidade. “Não se pode afirmar que o mundo será bilateral (Estados Unidos – China), ou multipolar. A situação está instável e países como o Brasil deve estar alerta para se manter competitivo, pois há riscos de rupturas, fechamentos de rotas e vias, conflitos, encarecimento de insumos, fora os riscos ainda não mapeados”, disse Silvio.

Quando os Estados Unidos se isolam da globalização, se volta para as Américas como nação influenciadora. Nessa relação há interesses comuns, como o combate ao crime organizado, a própria logística, mas existe o contraponto da interferência.

Já a presença da China na América do Sul é de grande relevância o que confere tensão. Mas o Brasil tem cartas para jogar, principalmente por seus recursos naturais e tem construído importantes relações mundiais para buscar competitividade. “O processo eleitoral de 2026 vai apontar caminhos nessa trajetória – distintos a depender de quem vença as eleições, mas de qualquer forma, o Brasil tem espaço e oportunidade para estar presente no redesenho da geopolítica atual.

A 7ª. edição da Logistique – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, evento que vai até 13 de agosto, no Expocentro Balneário, contará com mais de 60 horas de debates qualificados, além da área de exposição.

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