O painel que encerrou o segundo dia da 7ª. edição da Logistique – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, evento que vai até 13 de agosto, no Expocentro Balneário, tratou sobre como os projetos logísticos se tornam financiáveis, em um debate que abordou as questões de capital, estruturação e oportunidades para o setor privado.
Renan Carvalho, Oficial de Investimentos em Infraestrutura para a América Latina do International Finance Corporation – IFC, entidade que, segundo ele, investe anualmente no setor de logística e transporte cerca de US$ 2 bilhões, explicou que a avaliação da empresa/projeto a ser financiado passa pelo crivo financeiro comercial, que verifica como a empresa a estrutura para o pagamento final da conta; pelo jurídico-regulatório, que verifica o arcabouço legal do projeto; pela governança e pela verificação dos padrões ESG.
Citada como exemplo positivo por Carvalho, Michelle Guimarães – CEO da Navegam Log, empresa que atua para intercomunicar a região Norte e o Sul do país por meio da navegação fluvial, disse que os fatores que possibilitaram seu acesso aos financiamentos foram a viabilidade econômica do projeto e seu planejamento estruturante de longo prazo, com vistas a combinar os fatores ESG em sua trajetória.
Marcelo dos Santos, Coordenador de Setores Produtivos para o Norte da LAC + Brasil na Vice-Presidência do Setor Privado no CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, apoiou as colocações dos seus pares no painel e reafirmou que o mais fundamental para que as empresas privadas alcancem o financiamento é a transformação de uma ideia em um projeto consistente.
Fabio Mota, Diretor Executivo do Consórcio dos Portos do Sul, afirmou que existem ativos que muitas vezes não encontram bons financiamentos porque não deixam claro seu planejamento e seu ciclo financeiro: como o projeto se viabilizará para a volta ao financiador. “Recurso não falta, mas é preciso um bm plano e uma estruturação para que ele seja alcançado, disse.
Otto Burlier, Secretário Nacional de Hidrovias e Navegação Ministério de Portos e Aeroportos falou do Fundo de Marinha Mercante, uma política pública dos anos 50 para financiar o setor naval e hoje, também, a infraestrutura portuária. “Trata-se de um financiamento atrativo, que busca melhorar constantemente o que oferece, por exemplo, a atratividade não só para o financiamento em dólar (2,5%), mas buscamos melhorar a atratividade para os financiamentos em reais, por exemplo”.
Fabio e Michele fecharam o painel concordando que a governança é um fator decisivo na obtenção de crédito. “Não só isso, é uma proteção do negócio, de sua credibilidade e ajuda tanto na captação de recursos, como na manutenção de clientes”, completou Fábio.
A 7ª. edição da Logistique – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional se encerra no dia 13 de agosto, com muitos conteúdos qualificados para o setor de transporte, logística e comercio exterior.