O Brasil produz bem. Por que ainda entrega caro?

A 7ª. edição da Logistique – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, evento que vai até 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú (SC), promoverá mais de 60 horas de conteúdo.

Leopoldo Figueiredo, Diretor-geral da Rede BE News, mediou o debate “O Brasil produz bem. Por que ainda entrega caro?”, que avaliou como a logística, a infraestrutura e o comércio exterior podem devolver competitividade à indústria brasileira.

Fernando Zamperlini, Head of Purchasing for Logistics in South America na General Motors – GM, contou aos participantes que a montadora busca a integração de sistemas modais para obter redução de custos e aumento na agilidade da logística. “Ainda assim, temos desafios como a simetria fiscal para nossos mais de 600 fornecedores, assim como as questões regulatórias do âmbito federal, processos burocráticos entre outros que impactam na competitividade.

André Duran, Logistics and Planning Director na Tupy S.A, empresa que faz parte da cadeia automotiva complementou dizendo que fatores como a prontidão e a previsibilidade das entregas são fatores primordiais na competitividade do setor. “No Brasil não tem plano B para alguns acessos e vias logísticas, o que aumenta o fator de risco no processo”, lembrou.  

Para Adriano Rosa Delfino, Diretor de Logística LATAM, Exportação & Supply Chain, na Minerva Foods disse que um país como o Brasil, de dimensões continentais e que depende muito do modal rodoviário, demanda de processos mais rápidos e menos burocráticos. “Atualmente a conectividade da informação e a Inteligência Artificial conferem agilidade a muitos processos, mas é necessária a maior participação e envolvimento do setor privado nos processos públicos em busca de se destravarem as burocracias que encarecem toda a cadeia”, afirmou.

Eduardo Carreira, Commercial and Service Management Manager da ONE Brasil acredita que os impactos da geopolítica e seus conflitos no tempo de trânsito de cargas e no custo do frete podem ser contrabalanceados a partir do alinhamento e da modernização de processos. “Agregar valor aos serviços também pode compensar, como a customização da logística, disponibilização de ferramentas digitais, entre outros”, considerou.

Maurício Battistella, Presidente do Conselho de Infraestrutura da FIESC e Membro do Conselho do Grupo Battistella disse que baratear a logística demanda de melhorias na infraestrutura, visando conectividade dos modais. “Há gargalos físicos que demandam planejamento de longo prazo”, afirmou.

Sobre essa colocação, Gustavo Paschoa, Diretor na Movecta concordou e completou: precisamos de infraestrutura modernizada para competir e estamos atrasados nesse ponto. “No China, conheci o conceito do ATIVO COMPARTILHADO, que eu acho que resolveria parte desse atraso. Ou seja, acredito que olhar para o ecossistema, visando o benefício do fluxo de cargas como um todo, seria uma solução criativa para evitar que o Brasil fique estagnado perante o mundo”, afirmou. Para ele, o país precisa de um plano de investimento e melhorias de longo prazo para avançar efetivamente.  

Pontos a serem anotados:

  • O Brasil produz bem, mas entrega caro por conta de desafios como a simetria fiscal, assim como as questões regulatórias do âmbito federal, processos burocráticos entre outros que impactam na competitividade
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro por conta de alto risco quando só há uma alternativa de rota
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro por falta de melhores condições de previsibilidade das entregas
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro pela necessidade de processos mais rápidos e menos burocráticos.
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro pelo atual impacto dos conflitos geopolíticos no tempo de trânsito de cargas e no custo do frete
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro pela demanda por melhorias na infraestrutura, visando conectividade dos modais
  • O Brasil produz bem, mas entrega caro pela falta de um plano de melhorias de longo prazo para a infraestrutura do País

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