A logística é um dos principais motores da economia brasileira. Todos os dias, milhões de toneladas de produtos percorrem rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e dutovias para abastecer indústrias, supermercados, hospitais e consumidores. Mas, afinal, como esses fluxos acontecem? Quais são os principais corredores logísticos do Brasil? E como os diferentes modais se conectam?
Responder a essas perguntas ficou mais fácil. Divulgada no dia 13 de julho, a pesquisa Logística dos Transportes 2024, desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica – IBGE no âmbito da série Redes e Fluxos do Território, consolida informações de diversas instituições para retratar a infraestrutura logística brasileira e os fluxos de cargas que conectam municípios, regiões e países. O estudo reúne, pela primeira vez, uma ampla base de informações sobre infraestrutura e movimentação de cargas, oferecendo um retrato detalhado da logística nacional.
Uma visão integrada dos transportes brasileiros
O levantamento consolida dados de diversas instituições públicas e agências reguladoras para mostrar como funciona a rede de transportes do país.
A pesquisa contempla toda a infraestrutura logística brasileira, incluindo:
- Rodovias;
- Ferrovias;
- Aeroportos;
- Portos e hidrovias;
- Dutovias (oleodutos, gasodutos, minerodutos e aquedutos).
Além da infraestrutura física, o estudo também analisa os fluxos de mercadorias entre municípios, estados e até outros países, permitindo compreender como produtos e insumos circulam pelo território nacional.
Cada modal analisado em detalhes
Para construir esse panorama, o IBGE reuniu informações provenientes de diferentes órgãos especializados.
- Rodovias
Foram utilizados dados do Sistema Nacional Viário (SNV), do DNIT, juntamente com informações do Plano Nacional de Contagem de Tráfego (PNCT) e registros de operações de transporte de cargas. Esses dados ajudam a identificar os trechos com maior circulação de veículos pesados e os principais corredores rodoviários utilizados pelo transporte brasileiro.
- Ferrovias
No modal ferroviário, a pesquisa utilizou informações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), incluindo linhas férreas, terminais, pátios e registros operacionais das concessionárias. Com isso, é possível visualizar os principais corredores ferroviários e acompanhar o deslocamento das cargas entre origem e destino.
- Aeroportos
A infraestrutura aérea foi construída a partir dos aeródromos homologados pela ANAC, complementados por bases internacionais que permitem visualizar também as conexões logísticas entre o Brasil e outros países.Além da infraestrutura, a pesquisa apresenta os volumes de carga transportados por via aérea em rotas nacionais e internacionais.
- Portos e transporte aquaviário
Os dados do transporte aquaviário vieram da ANTAQ e do Observatório Nacional de Transportes e Logística (ONTL). O estudo contempla portos organizados, terminais de uso privado (TUPs) e as conexões marítimas internacionais, além de identificar as mercadorias movimentadas segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
- Dutovias
Outro diferencial do levantamento é o mapeamento da infraestrutura dutoviária, incluindo oleodutos, gasodutos, minerodutos e aquedutos. Também foram incorporadas informações da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), como refinarias, unidades de processamento de gás e áreas de exploração de petróleo, ampliando a compreensão da logística energética do país.
Os fluxos de carga revelam como a economia se movimenta
Mais do que mostrar onde estão as estruturas de transporte, a pesquisa evidencia como as cargas efetivamente circulam pelo Brasil.
No modal rodoviário, por exemplo, o cruzamento de dados do Pagamento Eletrônico de Frete (PEF) com o Plano Nacional de Contagem de Tráfego permitiu identificar a intensidade das operações logísticas entre municípios.
O IBGE também separou os veículos em duas categorias — caminhões de até cinco eixos e veículos com seis ou mais eixos — permitindo diferenciar os fluxos de cargas gerais daqueles voltados ao transporte de grandes volumes de commodities agrícolas e minerais.
Nas ferrovias e no transporte aquaviário, os registros permitem acompanhar a origem, o destino e o tipo de mercadoria transportada, revelando os principais corredores logísticos do país.
Já o modal aéreo apresenta os volumes movimentados em toneladas nas rotas nacionais e internacionais, oferecendo uma visão estratégica sobre esse segmento da logística.
Uma ferramenta para empresas, pesquisadores e gestores públicos
Como resultado do trabalho, o IBGE disponibilizou 32 mapas temáticos, incluindo mapas multimodais que mostram os principais fluxos de mercadorias estratégicas da economia brasileira.
Todo esse conteúdo pode ser consultado por meio da Plataforma Geográfica Interativa (PGI), onde é possível:
- visualizar fluxos por modal;
- pesquisar produtos específicos;
- analisar origens e destinos das cargas;
- personalizar mapas;
- baixar os dados em diferentes formatos.
Por que essa pesquisa é importante?
Ao integrar informações antes dispersas em diferentes bases de dados, o estudo oferece uma visão muito mais completa da logística brasileira.
Isso representa um importante avanço para:
- planejamento da infraestrutura nacional;
- identificação de gargalos logísticos;
- definição de investimentos públicos e privados;
- desenvolvimento de estudos acadêmicos;
- análise da competitividade do transporte de cargas.
Em um país de dimensões continentais como o Brasil, compreender como pessoas, produtos e insumos circulam é essencial para tornar a logística mais eficiente, reduzir custos e aumentar a competitividade da economia. A nova pesquisa do IBGE representa justamente esse passo: transformar grandes volumes de dados em inteligência para apoiar decisões estratégicas e o desenvolvimento do setor de transportes.
Para debater esses assuntos, a Logistique 2026 – Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional, evento que chega à 7ª. edição como um dos principais catalisadores dos debates e das inovações ligados a esses temas, será realizada de 11 a 13 de agosto, em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Além dos mais de 150 expositores, mais de 60 horas de conteúdos e debates serão promovidos no evento que já se consagra como um dos maiores eventos de logística e comércio exterior do Brasil.